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SER POETA

 
Ser poeta é ter nos intestinos
A quantia exata de matéria
Putrefata, saída em peidos finos,
Vívidos em noites necrotérias.
 
É estar frente ao cadáver fresco,
E expor, dele, as vísceras do abdome,
Vendo, ao olhar, lindo arabesco,
E dentre o ar pútrido, sentir fome...
 
É estar podre bem antes da morte,
Tal cassaco em vida Severina,
Descompasso em fogo e gasolina.
 
E dizer que masoquismo é esporte,
Mal de amor foi falta de consorte,
E ser poeta lhe sobe a adrenalina.





José Carlos De Gonzalez

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Publicado em 07/12/2009 às 20h32
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